Estava na porta de embarque. Muita gente ia sendo engolida pela bizarra criatura gigante que iria levá-la ao encontro de sua irmã mais rápido do que jamais imaginara. As mãos suavam, ela tentava manter a calma como podia. Em pensar que por terra levaria horas para chegar a sua cidade natal e dentro daquele monstro não demoraria mais de uma hora.
Passou pelo túnel, chegou a porta da aeronave. O comissário lhe recepcionou sorridente. Uma aeromoça ofereceu ajuda para guia-la até o seu assento. Ela agradeceu. Estava receosa, bastante aflita. Se sentia uma criança prestes a entrar numa nova escola. A diferença é que agora ela não possuia mais a vitalidade da infância. Correu os olhos pelo corredor, olhou a janela, a coisa começava a se movimentar. Era tarde para desistências.
O coração acelerava cada vez mais. Quem diria chegar nesse momento da vida e ainda encontrar desafios a superar. Para ela nunca tinha sido problema encarar a estrada, viajar por horas. Se sentia bem na viagem, era quase uma terapia. Todavia, nesse ano, ela queria enfrentar esse medo. Só chega ao céu quem se dispõe a voar.
A máquina toca o solo e alguns solavancos depois ela para. O piloto taxia o avião com maestria, levando-o ao terminal de desembarque. Ângela agradece a todos pela excelente viagem. Depois, já no saguão, ela fita a grande aeronave que a trouxe até aquele lugar e até aquele estado de espirito. Sim, aquele estado de extâse que só sentimos quando superamos um grande obstáculo. Mesmo sem a força da juventude, ela estava se adaptando a nova escola.
Thiago Carvalho - 31/12/2010