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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Renovar

Vivemos em um mundo de cobranças, onde todos exigem o balançar do barco mas ninguém se dispõe a pegar o remo. Um mundo onde a individualidade prevalece e a comunidade é só um meio de atender aos anseios, necessidades e desejos do corpo. Claro que temos o direito a nossa individualidade. Todavia, ele fica em segundo plano quando conflitadas com o casamento, a familia, o grupo ou comunidade a qual estou inserido. Quando Cristo teve de escolher entre Ele e o mundo, Ele escolheu o mundo. Quem vai contrariar o Mestre dos mestres? Foi Ele quem disse: "Ama a Deus sobre todas as coisas e ama ao teu próximo como a ti mesmo" (Lucas 10:27) e "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (Jo 13:15). Sábias palavras.

Nada vai mudar, a menos que você mude primeiro. E esta ocorrerá na mesma proporção da sua própria mudança. As pessoas não são más. Elas são egoistas, centralizadoras. Estão mais preocupadas com o seu próprio bem estar do que com um bem maior. Suas dores, suas necessidades e seu sofrimento de alguma forma são sempre maiores e mais intensos.
 
Suas conclusões e sua forma de ver o mundo são inquestionáveis e seu descaso com o impacto gerado através das suas atitudes é frequente. Isso pode ser compreensível para crianças, entretanto, fica mal visto para pessoas que se dizem adultas. Pessoas que pregam sua liberdade mas não são capazes de lavar a própria roupa. As mesmas que passam dos limites reivindicando o direito de fazer o que bem entender e não conseguem ao menos suprir com as suas próprias necessidades. 

Sendo assim, nada vai mudar enquanto vivermos como modelo padrão, acreditando que estamos no caminho certo e o universo inteiro está conspirando contra nossos ideais. Está na hora de baixar o volume do celular, de parar na faixa de pedestre, de pedir licença, de esperar, se dedicar. Talvez o mundo mude. É, ele muda sim. Mas quem vai mudar o mundo? Eu não sei. Por enquanto vou deixando essa mania de largar roupa suja no banheiro. Se não pode mudar o mundo inteiro, tente mudar o seu mundo.

Thiago Carvalho - 19/12/2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amizade

O que é um amigo?
É aquela pessoa que eu posso contar, diria alguém.
Porém, se assim fosse, seriam meus amigos todos aqueles que vem ao meu auxilio.
Inclusive aquela senhora que juntou minhas moedas outro dia.
Talvez sejam, os amigos de um momento, como vários que já passaram por essa vida.
Aqueles que vem quando precisamos e somem sorrateiros, sem deixar vestígios.
Também fazemos esse papel de vez em quando.
Cada coisa no seu tempo, tudo se encaixa na hora certa.
Trocamos idéias, conhecimento, sentimentos.
Alguns duram uma vida, outros somente o tempo necessário;
O bastante para ser eterno, como diria o poeta.
Mas não deixam de ser importantes. São frutos da amizade.
A amizade é sentimento, ela funciona muito mais com o coração do que com o cérebro.
Gostamos de alguém pelos detalhes, as vezes nem sabemos porque;
O fulano é tão desastrado, sempre me mete em encrenca mas adoro ele!
São coisas que só o coração pode explicar;
E ele fala, mas só o escutamos com a alma.

É preciso entender que pessoas vem e ficam, outras vem e vão,
Se ninguém fica, ou se muita gente vai, é hora de repensar nossos atos.
Pessoas valiosas somem mais fácil do que aparecem.
Posso dizer que a amizade é como um jardim,
Para durar é preciso de cuidado sempre.
Caso contrário, ela morre.


Thiago Carvalho - 20/07/2010

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Morte e Vida

Suzana olha a foto do filho. Como de costume, nas noites em que não tem sono, ela senta no sofá da sala e chora, abraçada a uma das únicas lembranças que sobraram do seu doce pequeno, tudo isso regado a uma xicara de chá.

Os acontecimentos daquela noite lhe vem a mente de forma clara, em lembranças, em sonhos, como se fossem hoje. A porta de casa, a criança ferida, os gritos que ecoavam por toda a rua sem ter nenhuma resposta. Mesmo sem sentir a respiração do menino, mesmo sem sentir seu coração bater, mesmo se sentindo impotente, ela o carrega no colo em um choro inconsolável. Alguns vizinhos vão ao seu amparo mas já é tarde.

Muito tarde. Ela acorda assustada no sofá com o sol alto batendo no seu rosto. O retrato apertado contra o peito deixa marcas no seu corpo, mas nada comparado as marcas que há no coração. Na mesa de centro pousa um papel rabiscado. É um recado do marido. Não queria acordá-la e deixou ali escrito que chegaria mais tarde, "como naquela noite" pensou ela. "Não, esqueça isso. Não foi culpa dele." 

O sentimento de culpa lhe aperta o peito. Raiva e angustia se misturam ao desejo de nunca perder os entes queridos. Mas quando é que perdemos aqueles que amamos? A presença fisica é extremamente necessária para que possamos ser felizes por completo? Perder e ganhar faz parte do dia-a-dia. Todos são importantes, todavia, não podem e nem devem ser indispensáveis, tendo em vista que a morte é algo inevitável nas condições humanas. O exterior é essencial mas o que realmente importa está dentro de nós.

 Os corredores daquele orfanato fugia um pouco da precariedade em que se encontra as instiuições públicas atualmente. Apesar da infraestrutura decadente, seus funcionários se uniam em um esforço raramente visto, tentando proporcionar as crianças que ali viviam um ambiente mais aprazível. Suzana relutou um pouco quando Lúcia, uma das monitoras, lhe convidou para fazer parte do voluntariado. Seu psiquiatra, com quem já fazia terapia há quase um ano, gostou da idéia e imaginou que lhe faria bem. Por fim aceitou o convite há alguns dias e disponibilizava dez horas por semana para executar tarefas e serviços dos quais o orfanato necessitava. Geralmente, ela se atinha a algo em que pudesse trabalhar sozinha, perdida em seus pensamentos. Suzana estava em direção ao orfanato e nem imaginava que naquele dia ela teria que participar de uma tarefa diferente.

- Boa tarde Suzana! Como vai?
- Boa tarde Lúcia, estou bem e você?
- Me sinto ótima! Pronta para o serviço? Preciso que faça algo diferente hoje. Pode ser?
- Algo diferente? Como assim?
- Sabe a Vera? Que conta história para as crianças? Não veio hoje e eu preciso que você fique no lugar dela.
- Lúcia... Eu não sei se eu posso sabe? Por que não fica você mesma no lugar dela? Não seria melhor?
- Claro que você pode! Mas só estou te pedindo um favor. Você não precisa aceitar. Mas gostaria muito que fizesse isso.

"Meu Deus", pensa Suzana. "Ver todas aquelas crianças... Eu não vou suportar." Lúcia pousa a mão suavemente em seu ombro:

- Eles precisam de você tanto quanto ele precisava.

Ela fita seriamente a face serena de Lúcia, enquanto um filme passa na sua mente. Tudo o que aconteceu, dor, sofrimento, meses de terapia. "O mundo acabou? Não, talvez uma parte de mim que jamais ressucitará. Entretanto, há algo vivo. Ainda existe vida dentro de mim, ainda existem pessoas contando com essa vida. Não posso abandoná-los. O brilho dos seus olhos continuaram dentro de mim, mas é hora de me despedir. Eu te amo muito meu doce pequeno". 

Suzana sorri e abraça Lúcia longamente. Após, se dirige a sala onde as crianças esperam ansiosas o começo de uma nova história.

Thiago Carvalho - 15/06/2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amanhã pode ser tarde

Ontem?... Isso faz tanto tempo!...
Amanhã?... Não nos cabe saber...
E amanhã pode ser muito tarde...

Amanhã pode ser muito tarde:
Para você dizer que ama,
Para você dizer que perdoa,
Para você dizer que desculpa,
Para você dizer que quer tentar de novo...

Amanhã pode ser muito tarde.
Para você pedir perdão,
Para você dizer:
Desculpe-me, o erro foi meu!...

O seu amor, amanhã, pode já ser inútil.
O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso.
A sua volta, amanhã, pode já não ser esperada.
A sua carta, amanhã, pode já não ser lida.
O seu carinho, amanhã, pode já não ser mais necessário.
O seu abraço, amanhã, pode já não encontrar outros braços...
Porque amanhã pode ser muito... muito tarde!

Não deixe para amanhã para dizer:
Eu amo você! Estou com saudades de você!
Perdoe-me! Desculpe-me!
Esta flor é para você!
Você esta tão bem!

Não deixe para amanhã,
O sorriso, o abraço, o carinho,
O trabalho, o sonho, a ajuda...
Não deixe para amanhã para perguntar:
Por que você esta triste? O que há com você?
Hei!... Venha cá, vamos conversar...
Cadê o seu sorriso? Ainda tenho chance?...
Já percebeu que eu existo?
Por que não começamos de novo?
Estou com você, sabe que pode contar comigo...
Cadê os seus sonhos? Onde esta a sua garra?


Amanhã pode ser tarde... muito tarde!
Amanhã, o seu amor pode não ser preciso.
O seu carinho pode não ser mais preciso.
O seu amor pode ter encontrado outro amor.
O seu presente pode chegar muito tarde.
O seu reconhecimento pode não ser
recebido com o mesmo entusiasmo!...

Só o hoje é definitivo!
Amanhã pode ser tarde... muito tarde!...

Silvana Mendes
Publicado na Revista Família Cristã 11/99.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Evangelho segundo o twitter

E ai pessoal!


Vi esse video enquanto navegava no site Pavablog. Fala como seria o twitter na época de Cristo. Bem legal, vale a pena ver!




Abraços!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dádiva

Ao amanhacer surge o sol.
Imponente, majestoso.
Banhando de luz e calor a terra molhada.
Trazendo esperanças para um novo dia.
Aos poucos, ele encontra cada telhado;
Cada planta, cada sinal de vida.


Sonolenta, desperta com o esplendor da aurora.
A claridade bate a janela iluminando o quarto.

O calor da cama, do chão, do sol.

Nos convoca a caminhar novamente.

A imprimir passos firmes nesse solo.

Convictos, firmes, como uma rocha;

Flexíveis e moldaveis como a agua.


Diante da dádiva de existir nesse tempo,
Não cabe questionar se na vida há algum sentido;

É nosso dever fazê-la ter sentido.

Para retribuir a Deus, o presente que recebemos.


Thiago Carvalho - 01/10/2010

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A tristeza

Por que me marejam os olhos e tenho a sensação de que nada vai dar certo?
Por que?
Esse sentimento de vazio, de que tudo acabou?
Faltam-me as forças, parece que a falha é irreversivel.
Talvez sim, apesar de não significar que não temos conserto.
Esse ato de cair, essa angustia, chega a ser uma ferramenta para evolução.
Vi em uma revista outro dia, que a depressão é algo importante
para o desenvolvimento humano.
Muitos especilistas já não a encaram como um caso patológico.

È o momento em que se chega ao fundo do poço e pergunta-se:
"Que faço aqui? Como cheguei aqui e o que faço para sair?"
Reflexões que assolam nossa alma e nos fazem pensar.
Tomar decisões que antes não pareciam tão importantes.
Mudanças de comportamento, pensamento, atitudes...
Ou não, ao invés de mudanças, apenas adaptações.
Como uma calça que está frouxa e você não a troca, apenas aperta.

A tristeza é o momento de tentar de novo de um jeito diferente,
Cada situação exige um comportamento.
Cada comportamento exige uma atitude.
Resta saber se estamos prontos,
Para reerguer-se e arriscar novamente.
Ou simplesmente confortar-se em um ombro, travesseiro.
Cheios de piedade de nós mesmos.

Thiago Carvalho - 14/07/2010

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Duvidas



É preciso encontrar um motivo.
É preciso acreditar em algo.
Lutamos por aquilo que acreditamos.

O medo nos faz uma incognita constante...
Um mar de duvidas nos atormenta...
E abdicamos da felicidade para evitar a decepção.
Esquecemos que a vida é repleta de sentimentos,
E o nosso coração está aberto a todos eles.

Ser feliz não quer dizer que você estará sempre feliz.
Significa somente a sua essência.
Você vai passar por outros sentimentos e outros sentimentos passarão por você.
Mas serão subjugados pela felicidade a partir do momento que cessarem as dúvidas do teu coração.


Thiago Carvalho - 21/02/2010

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Humildade

Aquele homem caminhava no deserto fazia algum tempo. Não se sabe ao certo quanto tempo. Suas roupas já se deterioravam pelo trajeto e seus pés contavam inúmeras bolhas. Ele poderia estar fora daquele lugar, porém, se julgava forte o suficiente para sair dali sozinho. O sol era escaldante, a areia fervia como centelhas de brasa passeando sobre a superfície lisa das dunas.

O calor era insuportável. A garganta seca clamava, implorava por um gole de água. Na sua direção vinha um bando de homens montados em cavalos, sedentos por sangue e dinheiro. Eles percebem naquele moribundo alguém quase sem expectativa. Resolvem que não vale a pena perder tempo ali e seguem em frente. Um deles, antes de ir, atira para o peregrino uma pequena cuia, onde ainda tem um pouco de água. Ele desdenha da atitude do ladrão:

- Não preciso de esmolas.

As pernas já não suportam mais o peso do corpo. Garante para si mesmo que encontrará água sozinho, sem ajuda de ninguém. Um velhinho, montado num camelo, aparece entre as dunas. Se compadece daquela figura tão queimada e maltratada pelo sol. Ele lhe pergunta:

- Algum problema amigo?
- Não sou seu amigo. Problemas são para os fracos. Só estou em um momento difícil.
- Talvez eu possa lhe ajudar. Tenho um pouco de água e comida aqui.
- Já disse que não preciso. Não o conheço. Deixe-me seguir em frente e não me importune.

O andarilho segue seu trilho cada vez mais exausto. Mais um dia está acabando e ele se pergunta se continuará vivo para seguir adiante. Pouco importa também, se não conseguir sobreviver é porque não merecia viver. Não foi forte o suficiente. Entre delírios, começa a cavar o solo em busca de tesouros hidricos, motores, transporte para casa. O corpo não resiste e apaga.

Ele vai acordando aos poucos, se recordando dos detalhes anteriores. Parecia que estava tendo um terrível pesadelo. Percebe que está numa barraca feita de tecidos, erguida com varas. Ele vê o velhinho o qual tinha lhe oferecido ajuda antes.

- O que estou fazendo aqui?
- Eu o trouxe. Encontrei-o desmaiado a poucos metros do local do nosso primeiro encontro. Sua boca estava seca. Vi que estava bem desidratado. Deve estar caminhando a dias!
- Não é da sua conta. Porque veio atrás de mim, se eu disse que não precisava de ajuda?
- Porque não acreditei na sua voz. Há certos momentos em que precisamos ver além do que as palavras dizem.
- Pode me ajudar a voltar para casa?
- Claro! Está disposto a receber ajuda?


Thiago Carvalho - 10/12/2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Palavras Repetidas

...Sou um grão de areia no olho do furacão
Em meio a milhões de grãos
Cada um na sua busca, cada bússola num coração
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
Nem sempre se pode ter fé
Quando o chão desaparece embaixo do seu pé
Acreditando na chance de ser feliz
Eterna cicatriz
Eterno aprendiz das escolhas que fiz
Sem AMOR, eu nada seria
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
De todas as falanges e facções
Ainda que eu gritasse o grito de todas as legiões
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na VIDA?
Felicidade, Paz, fé...
Felicidade, Paz, Sorte
Nem sempre se pode ter FÉ, Mas nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é FORTE.

Gabriel o Pensador. Trecho da música Palavras Repetidas. Albúm Cavaleiro Andante - 2005.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Noite

"Não posso viver sem ela" Dizia ele no seu coração. Tantas voltas, tantos tropeços. "Tem que estar comigo, tem que ser minha. Eu a amo."
O coração clama por algo sem saber o que realmente deseja. É como estar perdido no meio de uma selva densa e escura. Não se sabe bem o caminho, apenas caminha para o que mais se parece com a luz. Os pés cansados, a alma abatida. O sentimento funciona de uma forma irracional, egocêntrico, como um instinto primitivo pela sobrevivência.

Ele olha no espelho e vê as olheiras das noites em claro, insistindo por um momento de atenção. Ela observa o celular tocar pela décima vez, não atende. Na vigésima chamada resolve atender:

- Alô.
- Vem aqui, por favor...
- Não.
- Eu te amo.
- Eu também.
- Então?
- Por isso não vou, porque o amo. Espero que entenda o que é amor.

Por mais que a razão, pela experiência, aponte o caminho certo, o peito insiste em correr a direção contrária. Há momentos que de fato, precisamos fechar os olhos e se jogar, superar o medo, relevar a razão, e seguir em frente. Mas como somos seres pensantes, não podemos simplesmente deixar para lá nossa massa encefálica, mente, consciência. Se é possível compreender, por que ignorar? Ele teima na ligação:

- Se nossos corações pulsam juntos, pra que evitar?
- Porque o remédio não é agradável. Mesmo assim é preciso para que haja cura.
- Não estou doente.
- Será? Já se olhou no espelho?
- ..........
- Olha, também estou mal com a sua ausência. Mas entendo os motivos, e posso suportá-los porque o amo. Se não o amasse já teria desistido de nos dois.
- Preciso dormir... Mas meu peito chora sem a tua presença.
- O meu também.

E esse desejo é uma faca de dois gumes. É um grande aliado no relacionamento, e pode ser avassalador se não for controlado. Ser dominado pelo querer não é muito bom. É preferível decidir por si mesmo o que fazer e não deixar que seus instintos o façam. Amar a si mesmo é bom de vez em quando. E o amor sempre escolhe o melhor. Ela se despede:

- Vou desligar. Tenho que acordar cedo, espero que durma bem.
- Idem. Ainda sinto uma dor, porém, acredito que esteja bem assim. Me importa antes que esteja bem, no mais eu supero. Ainda não entendi direito, todavia percebi que desejo não é amor.
- Que bom! Vivendo e aprendendo. Não vejo a hora de te encontrar!

Vivendo e aprendendo. Nunca se tem uma resposta definitiva. É só uma etapa superada.

Thiago Carvalho - 03/12/2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Depois de algum tempo

“Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem da vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, perceber que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa – por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nos somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida”!

William Shakespeare

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Educação

Era uma vez uma vaquinha chamada Esmeralda. Ela vivia muito feliz porque podia brincar, correr e se divertir o dia inteiro. Comia o pasto verdinho na hora que quisesse. Gostava de olhar as nuvens, imaginando as comidinhas gostosas que elas pareciam. "Aquela parece um algodão doce, essa outra é pudim e essa aqui... Parece o boi da cara preta... De repente Esmeralda se molhava toda com a chuva que caia.

Um dia seus amiguinhos conversavam. Era um trá-lá-lá que ninguém conseguia entender o que do quê. O coelho estava triste e Esmeralda perguntou:
- O que aconteceu coelho?
- É o capataz novo que chegou querendo organizar tudo! Ele não quer ver mais nenhum bicho solto por ai.
- Mas a gente passa os dias livre. Por que temos que ficar presos agora?
- Eu não sei. Disse que a partir de hoje é ele quem manda aqui.

O capataz era um cachorro grande, que andava sobre as duas patas traseiras e usava um grande chicote. Mas a Esmeralda não levou aquilo muito a sério, afinal, ela só era uma vaquinha. Voltou a brincar com as borboletas que passavam. Estava ali distraída quando sente uma chicotada lhe acertar as costas. Ela escuta vários gritos é puxada e colocada no celeiro. Triste, chorou. Não entendia o que tinha acontecido. Ela só estava brincando.

Passaram-se os dias. Os bichinhos andavam temerosos, cuidavam cada passo, pois não sabiam bem o que fazer, só sabiam que deveriam ficar calados caso contrário, se o capataz não gostasse, eles poderiam sofrer as consequências. Era muito chato e entediante. "Esse cachorro é louco ou o que?!" Questionava dona galinha, arrodeada de pintinhos.

O capataz passou pelo celeiro, orgulhoso da sua eficiência, pois todos estavam quietinhos lá dentro. Seu chicote era mesmo maravilhoso. Mas ainda não estava satisfeito. Os animais ainda saiam da linha, principalmente quando ele não estava por perto. Resolveu racionar a comida. Só comeria quem se comportasse bem o dia inteiro.

Um dia o chicote sumiu. o capataz estava nervoso, pois como que o respeitariam agora? O que ele iria fazer? Resolveu conversar com os moradores do celeiro. Mesmo irritado, respondia as perguntas dos bichinhos falando o porque de fazer isso ou não fazer aquilo. Então ele percebeu o quanto estava sendo bobo castigando aquelas criaturinhas pois, com o tempo, eles foram entendendo que não podiam ficar soltos sempre e que cada coisa deveria ficar no seu lugar.

O capataz esqueceu completamente o chicote. Achava que sabia tudo e aprendeu que respeito não se impõe, se conquista. A vaquinha Esmeralda sabia que tinha hora pra brincar e pra voltar ao celeiro. Agora ele andava satisfeito vendo que todos estavam felizes. Antes de forma autoritária o capataz conseguiu adestrá-los. Mas conversando, ele conseguiu educá-los e viu que era melhor assim.

Thiago Carvalho - 26/11/2010

*Agradeço aos blogs http://caixinhadaadri.blogspot.com/; http://desconstruindoamae.blogspot.com/; e a todos que aderiram a campanha "Não a violência infantil". Foi dos seus posts que concebi a idéia desse texto. Obrigada!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Perdão

Ele saiu sem dizer mais nada. lágrimas rolavam, estava acabado. Cada um viveria sua vida agora. Tudo que construíram, até então, seguiriam do seu jeito. Sonhos, planos, promessas... Nada importava. Não, o amor não acabou. Certamente nunca existiu. Sabe aquelas fagulhas no coração, aquele estado de êxtase que leva a insanidade e procuramos palavras forte, pura, para intensificar o sentimento? Mas com o amor não existe meio termo. Ou é ou não é.

No colo a criança dorme. As mãos cerrada em punho, parece que já sente a insegurança que faz a falta da figura paterna. A mãe lhe olha com ternura, beija sua testa e sussurra baixinho: "Agora somos eu e você. Nunca vou te abandonar, é uma promessa..." Comovida, ela a abraça mais forte e as gotas caem de seus olhos em maior quantidade.

Ele nunca mais voltou. Nem um telefonema, notícias, nada. A dor da alma, abandonadas, como se fossem objetos sem mais utilidade, largadas a própria sorte. Todavia é preciso seguir em frente. O mundo não espera sua recomposição. Ela sofre, exausta, sobrecarregada. E ai descobre que um sorriso, mesmo sem a metade dos dentes, é revigorante. "Nunca vou te abandonar." A vida se abre em um leque de novidades, porém, foi necessário enxugar as lágrimas e se dispor a abrir o leque.

O parquinho. Depois de duras batalhas é hora de construir um pouco de felicidade. A menina dos olhos brinca, numa euforia de dar gosto. Ela assiste satisfeita, contente. Ele volta. Os sentimentos se misturam em um turbilhão de prazer e ódio. O desprezo, o coração em pedaços. Foi muito difícil. "Vai embora", diz ela. Lágrimas rolam no rosto do homem. Seu ego machucado, toda sua vida machucada. "Vocês não mereciam, eu errei, fui um tolo. Me perdoa."

O balanço vazio. Um filme na mente. A criança em pé curiosa. Ele a olha, sorridente. O sorriso é sincero. Ela foca nele. É o mesmo, apesar de abatido continua o mesmo. Foi cruel, ele deve ter tido seus motivos, mesquinhos, porém são seus motivos. Ela pondera: "Não posso condená-lo como fiz antes. Não posso carregar esse peso comigo. Já recuperei minha vida agora. Levar essa mágoa no coração não será mais do que um estorvo. Está perdoado."

Felicidade completa. A criança agora tem pai e mãe. Ele a abraça forte: "vamos ser uma familia novamente". Ela a pega pela mão, é hora de ir embora. "O papai não vai com a gente?" A mãe explica: "Papai decidiu morar sozinho. Ele vai voltar pra casa dele e vai te ver outra hora." Ele está confuso. Ela continua: "O fato de perdoá-lo não quer dizer que nada aconteceu. Ganhou sua segunda chance, mas há um enorme abismo entre o perdão e a confiança. Você só deu o primeiro passo.

Mãe e filha se vão e ele está no parque, abandonado.


Thiago Carvalho - 19/11/2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Responsabilidade

A noite estava bela. Era uma daquelas noites de verão em que tudo que se deseja é uma brisa pra refrescar um pouco o ambiente. Passava um pouco das nove e ainda era possível ver o alaranjado do crepúsculo no horizonte. O dia havia acabado mas a noite estava apenas começando.

Enquanto alguns se preparam para sair, se divertir, dormir ou não, José, mais conhecido na rua como o Seu Zefinha, já tinha seu fogo aceso e estava vendendo seus churrasquinhos como acontecia todas as noites, fosse o tempo que fosse. Em dias de chuva o transtorno era terrível, mas José não desapontava sua clientela e sempre dava um jeito de poder trabalhar nas mais adversas situações.


As pessoas o adoravam, além do seu aperitivo ser o melhor das redondezas, ele era admirado pela sua simpatia e boa vontade em servir seus clientes. Mesmo já sendo um senhor aposentado se negava a ficar em casa esquentando o sofá. Dizia que "O trabalho é o que enobrece o homem". Com os filhos já criados, sua única companhia de todas as horas era dona Margarida, sua esposa, uma senhora meiga que ajudava no preparo dos espetinhos. Na noite o trabalho de Seu Zefinha era assá-los e comercializá-los.


O movimento na praça havia cessado. O relógio marcava uma da manhã e José guardava seus instrumentos de trabalho no carro. Ele fecha o porta malas e enquanto faz a volta para entrar no carro, é surpreendido por um outro carro em alta velocidade. O impacto é fulminante e mata seu Zefinha na hora. O motorista, embriagado, também não resiste ao acidente e morre. O marido de dona Margarida é recebido no céu com grande festa, enquanto o imprudente é encaminhado ao inferno.


O motorista se questiona, reclama: "Que Deus é esse que condena as pessoas? Ele tem prazer em ver tortura e sofrimento? Tudo bem que eu errei, mas terei que pagar a eternidade inteira por isso?" O anjo que o encaminha o fita sério e responde aos seus questionamentos: "O que aconteceu não foi castigo. Deus lhe deu o livre arbitrio, o direito de trilhar o seu caminho e você decidiu trilhá-lo até chegar aqui. O que acontece hoje são consequências dos seus atos. Não responsabilize ninguém pela sua vida. O único responsável por ela é você".


Thiago Carvalho - 12/11/2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Coragem

Já passava das duas da manhã e o Rodolfo não terminava aquele whisky. Viu uma garota quando chegou e decidiu que tomaria uma dose e ia "chegar chegando". Era meia-noite quando ele se achou o cara. A menina já tinha olhado-o várias vezes, quando ele resolvia que era a hora, chegava alguém antes.

A noite estava acabando, a ansiedade era insuportável, mas ele não conseguia. Talvez o copo estava muito pesado e ele não dava conta de carregá-lo. Pensou em deixar em cima da mesa mas assim o garoto teria que tomar uma atitude. "Melhor esperar mais um pouco" dizia ele. "Deixa ela se soltar, de repente quer curtir mais a festa". Mal sabia que a moça queria estar curtindo a festa desde que ele chegou.

O Adalberto notou algo diferente no Rodolfo e começou a conversar:

- E ai velho, qual que é? Parece que tá nervoso? E a gatinha que tu ia pegar?
- Tô cuidando cara... Tô só esperando a hora...
- Aham. Tá esperando acabar a festa pra dizer que não pegou porque ela foi embora.
- Capaz, nada a ver. Só vou deixar rolar. Vai que a mina...
- Vai que ela o que? Te de um fora? Isso é normal velho! Pior que isso é nunca tentar! Lembra que o medo é passageiro mas o arrependimento é pra sempre.

Realmente. É absolutamente normal ter medo. A coragem é quando optamos por agir mesmo com medo.

Com essas palavras e com o incentivo do amigo, Lá foi Rodolfo em busca da felicidade depois de longas horas de enrolação. Chegou no lugar e não encontrou mais ninguém. Alguém lhe entregou um bilhete que dizia: "Tava te esperando, mas meu pai veio me buscar. Amanhã nos mudamos para o Canadá. Quem sabe a gente se encontra".

Ele podia ficar com outra menina se quisesse mas sentiu que a noite tinha acabado. Na verdade a noite acabou no momento em que ele decidiu esperar. Haveriam outras festas, outras oportunidades, mas aquela ficou para trás com um nó na garganta.

Thiago Carvalho - 29/10/2010